
Se você assistir a alguns dos maiores podcasts do Brasil, como Flow Podcast, Inteligência Ltda, Podpah e tantos outros, provavelmente encontrará o mesmo equipamento sobre a mesa: o Shure SM7B.
Mas será que esse microfone realmente é muito superior aos concorrentes ou ele simplesmente se tornou um padrão por influência do mercado?
A resposta envolve uma mistura de mérito técnico, influência cultural e o famoso efeito manada.
Embora muitas pessoas tenham conhecido o SM7B por causa dos podcasts, sua história começou décadas antes.
Lançado pela Shure em 2001 como evolução do lendário SM7 de 1973, o modelo foi desenvolvido para emissoras de rádio, estúdios de locução e gravações profissionais de voz.
Sua fama aumentou ainda mais porque uma versão anterior da linha foi utilizada por Michael Jackson durante as gravações do álbum Thriller, considerado um dos discos mais vendidos da história.
Ou seja, quando os podcasts começaram a ganhar força, o SM7B já era visto mundialmente como uma referência para gravação de voz.
No Brasil, porém, existe um divisor de águas.
Quando o Flow Podcast explodiu durante a pandemia, milhões de pessoas passaram a consumir entrevistas longas no YouTube.
Além do formato, outro detalhe chamava atenção: o visual do estúdio.
Cada participante possuía um grande microfone preto suspenso em um braço articulado. Aquela imagem passou a representar profissionalismo.
A partir daí aconteceu algo muito comum no mercado audiovisual.
Quem queria criar um podcast não copiava apenas o formato do programa. Copiava também:
Foi uma espécie de “efeito Apple”. O equipamento virou um símbolo de qualidade antes mesmo que muitos soubessem como ele funcionava.
Se o SM7B fosse apenas bonito, provavelmente teria desaparecido rapidamente.
O motivo de ele permanecer como uma referência é que realmente entrega excelentes resultados.
Entre suas principais características estão:
Essas características fazem enorme diferença em podcasts, principalmente aqueles gravados em escritórios, estúdios improvisados ou ambientes sem tratamento acústico profissional.
Enquanto muitos microfones condensadores captam absolutamente tudo ao redor, o SM7B tende a destacar apenas a voz de quem está falando.

Talvez este seja o ponto mais interessante.
Depois que o Flow se tornou referência, muitos criadores passaram a comprar o SM7B simplesmente porque “todo podcast profissional usa”.
Poucos pesquisavam se aquele realmente era o microfone ideal para seu setup.
Isso gerou situações curiosas.
Pessoas gravando sozinhas em um quarto extremamente silencioso compravam um SM7B quando um condensador de boa qualidade poderia oferecer resultados até melhores.
Outros ligavam o microfone em interfaces básicas, sem ganho suficiente.
Como consequência, o áudio ficava baixo.
Na tentativa de resolver o problema durante a edição, aumentavam o volume e acabavam trazendo ruídos que poderiam ter sido evitados.
O microfone era excelente.
A utilização, nem sempre.
Existe um detalhe técnico que pouca gente comenta antes da compra.
O SM7B possui baixa sensibilidade.
Na prática, isso significa que ele precisa de bastante ganho para funcionar da maneira ideal.
Interfaces profissionais conseguem alimentar esse ganho tranquilamente.
Já modelos de entrada podem sofrer um pouco.
Por isso ficou comum utilizar acessórios como:
Esses equipamentos fornecem ganho limpo antes da interface de áudio.
Hoje muitas interfaces modernas já oferecem ganho suficiente, mas ainda assim esse é um ponto importante para quem pretende investir no SM7B.
Sem dúvida.
O mercado evoluiu bastante nos últimos anos.
Hoje existem diversos microfones que entregam qualidade semelhante dependendo da aplicação.
Entre eles:
Cada um possui características diferentes.
Alguns oferecem mais brilho.
Outros exigem menos ganho.
Alguns possuem conexão USB além da XLR.
Isso mostra que não existe um único “melhor microfone”. Existe o equipamento mais adequado para cada necessidade.

Em grande parte, sim.
Mas seria injusto dizer que o Flow criou a fama do SM7B sozinho.
O que aconteceu foi uma combinação de fatores:
Se o Flow nunca tivesse existido, provavelmente o SM7B continuaria sendo muito utilizado por rádios e estúdios.
Mas dificilmente teria se tornado quase um “uniforme oficial” dos podcasts brasileiros.
Depende.
Se você grava podcasts com diferentes convidados, possui uma boa interface de áudio e busca um equipamento extremamente confiável, o SM7B continua sendo uma excelente escolha.
Por outro lado, se está montando seu primeiro estúdio ou possui orçamento limitado, talvez existam alternativas que entreguem um custo-benefício muito melhor.
A maior lição deixada pelo sucesso do SM7B é simples: nem sempre o equipamento mais famoso é automaticamente o melhor para o seu cenário.
No áudio profissional, entender sua necessidade costuma ser muito mais importante do que simplesmente copiar o setup do maior podcast da internet.