
Desde muito cedo eu gosto de áudio. Não só de ouvir música, mas de observar os equipamentos. A textura do alumínio. O peso dos knobs. O brilho de um display bem iluminado.
Comecei a trabalhar profissionalmente como designer em 2005. Naquela época descobri o site Worth1000, onde pessoas do mundo inteiro criavam imagens surreais no Photoshop. Era um laboratório criativo aberto. Ali eu entendi que manipulação de imagem não era só técnica. Era conceito.
Hoje, quase 20 anos depois, a inteligência artificial permite recriar ideias em segundos. Às vezes surgem coisas bizarras, como nos tempos do Worth1000. Mas quando existe direção clara, repertório e intenção de design, é possível chegar muito próximo do realismo.
Esse CDJ híbrido nasce exatamente dessa mentalidade.
A Pioneer nasceu em 1938, no Japão, inicialmente como fabricante de alto-falantes. Ao longo das décadas, tornou-se referência global em áudio doméstico e automotivo. Mas foi nos anos 1990 e 2000 que a marca redefiniu o mercado DJ com a linha CDJ.
O CDJ-1000, lançado em 2001, praticamente padronizou o setup de clubes no mundo inteiro. A Pioneer DJ transformou o player digital em instrumento musical. O CDJ-3000 é a evolução natural dessa linhagem: performance, precisão, confiabilidade.
Já a Marantz tem uma história diferente. Fundada em 1953 por Saul Marantz, em Nova York, a marca construiu sua reputação no universo hi-fi de alta fidelidade. Seus amplificadores, receivers e CD players sempre foram associados a musicalidade, construção refinada e uma identidade visual elegante.
Enquanto a Pioneer dominou o palco, a Marantz conquistou a sala de audição.
Esse conceito une esses dois territórios.
E se o CDJ-3000 não fosse um equipamento de festival?
E se ele fosse tratado como um componente hi-fi de referência?
O render parte da base original do CDJ-3000, mas propõe uma releitura com o DNA clássico da Marantz:
Não é uma edição especial.
É uma reinterpretação.
O modelo está muito forte como base:
Ele ainda carrega muito da identidade Pioneer original, mas já começa a sugerir outro território visual.

Com olhar crítico de design, há pontos que ainda mantêm o DNA “club performance”:
Marantz tradicionalmente trabalha com:
Verde, laranja e azul saturado são linguagem de palco.
A estética hi-fi pede:
Ainda muito interface DJ.
A proposta hi-fi pede:
Não é um CDJ de festival.
É um CDJ Reference Series.
Pensado para:
Imagine:
Menos “performance”.
Mais “referência”.
Essa imagem não é sobre nostalgia.
Ela é sobre convergência.
Durante décadas, o mundo hi-fi e o mundo DJ caminharam separados. Um focado em pureza sonora. Outro em energia e performance.
Mas ambos sempre falaram da mesma coisa: controle sobre a música.
Esse conceito é um exercício de design, mas também é um exercício de posicionamento. Mostra como identidade visual muda completamente a percepção de produto, mesmo quando a base técnica é a mesma.
Design não muda só a estética.
Ele muda o público.
E talvez o mais interessante seja perceber que essa ideia nasce da mesma curiosidade que começou lá atrás, em 2005, manipulando imagens no Photoshop por diversão.
Hoje, com IA, o processo ficou mais rápido.
Mas a intenção continua sendo a mesma: imaginar o que ainda não existe.